The Stroller Games: Desafio Carrinho

Um dos desafios patetas das grávidas de classe média nos tempos que correm é a compra de um carrinho de bebé. O quê? Vocês nunca se tinham debruçado sobre esta temática fascinante? Nem eu. Mas permitam-me que vos arraste neste mergulho. Há uns treze anos, entrei numa loja e comprei um carrinho que me pareceu super moderno, super à frente, super tudo, sobretudo pelos tons: era todo caqui. Recomendo-vos vivamente um carrinho caqui porque, como toda a gente sabe, a vinda de um bebé assemelha-se muito a uma expedição à selva amazónica: é tudo muito bonito, muito excitante e, sobretudo, muito desconfortável. Paguei, saí da loja e foi só isto. Agora, eu planeava fazer o mesmo. Reservei uns bons vinte minutos, vá uma meia hora para ir este fim de semana a uma grande superfície comercial comprar ‘uma coisa qualquer’. Mas, ‘uma coisa qualquer’ é coisa que não existe mais. É preciso cautela a entrar numa dessas lojas que vendem carrinhos, porque logo somos engolidos por uma língua estranha. O vendedor começou a atirar-nos termos enigmáticos como duos, trios, travel sets, versões 2.0, chassis de alumínio. E, ia abrindo e fechando carrinhos enormes, tão grandes como liteiras do século XVIII, com formatos aerodinâmicos, que é uma maneira simpática de dizer bizarros. Essas monstruosidades são feitas para gente que mora em Lisboa? Impossível. Aquilo cansou-me por isso fui direta ao assunto e pedi: Dê-me o mais barato e isso confundiu ainda mais o vendedor. É que em oito meses de experiência de loja, ele garantiu-e que fui a primeira mãe que pediu ‘o carrinho mais barato’. Não o mais seguro, não o mais bonito, não o mais recomendado pela DECO. Nada disso. O mais barato. Nem sempre o mais barato é o melhor, explicou o rapaz. É, ele já me tirou a pinta, eu sou aquele tipo de mãe que nos jornais eles classificam como negligente. O ‘mais barato’ era quase 400 euros, mas o rapaz não podia ‘em consciência’ recomendá-lo. O melhorzinho, dentro dos preços acessíveis, era mesmo aquele ali de seiscentos. Se vocês me estão a ler em 2080, em primeiro lugar espero que os carros autónomos sejam a norma e em segundo fiquem sabendo que o ordenado mínimo em Portugal em 2016 é 589 euros. Eu saí da loja sem saber se as tonturas seriam quebra de açúcar ou aflição mesmo e passei o resto do fim de semana introduzindo as search words ‘carrinhos baratos’ no Google. Passei em sites de usados e troquei mensagens com gente de Bobadela a Vila Franca de Xira perguntando se o ‘duo azul escuro’ ainda estava para venda (não havia nada caqui por preços modestos, infelizmente). E, acabei descobrindo uma coisa bastante aceitável por apenas 200 euros, ainda por cima novo. É azul turquesa, mas não se pode ter tudo, certo? Ah, que achado. Quero convencer-me que é tão bom como os de mil euros. Bebé, eu já suspeitava, mas agora confirma-se: o teu estilo de vida está muito acima das nossas possibilidades.

(Foto: Algures no século XIX)

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One comment

  1. Tenho o meu, Bebe Confort Loola em vermelho e preto, de 2004 à venda. Está em boas condições, tem o “ovo” e a cadeira. Se quiser mando fotos e dados porque acho que o anúncio no OLX já caducou. O carro não é novo, mas está em boas condições. Para mais informações myhappybakes@gmail.com.

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