Introdução a Lisboa

If you’ve never been to Lisbon, saiba que esta é a capital mais ocidental do continente europeu, excluindo Reiquiavique na Islândia, que é uma ilha. Lá tem vulcões e geysers. Das praias de Lisboa, vemos a América, todo um novo mundo e, por isso, apesar de europeus estamos sempre de saída. Apanhamos um barco e já vamos navegando. Sobre Lisboa você deve ainda saber que os seus habitantes são conhecidos como alfacinhas, mas eu não sei bem porquê. De um ponto de vista estritamente nutricional, é fácil ser alfacinha no novo milénio, ser alfacinha é politicamente correto, porque remete para algo saudável. Mais difícil, por exemplo, é ser tripeiro, como as gentes do Porto. Ser tripeiro nos dias que correm é um pouco contra-corrente, exige personalidade. Outro lugar comum sobre Lisboa: somos a cidade das sete colinas. Toda a cidade são ruas que sobem e ruas que descem, difícil para andar a pé, difícil para andar de bicicleta, talvez por isso somos tão adeptos de veículos motorizados. Isto é uma forma delicada de dizer que o trânsito nestas margens é caótico. A bem da verdade, Lisboa devia assumir-se como a cidade das mil e uma colinas, colando-se descaradamente ao exotismo das mil e uma noites. Mais coisas. Se falarem com um lisboeta, ele vai mencionar a luz da cidade, ele vai dizer: Ah, a luz de Lisboa, não há outra no mundo inteiro. E não interessa se há ou não, porque nesse momento o sol aberto vai aquecer as paredes brancas, vai pousar na calçada e você dirá com assombro: Verdade, não há outra luz como esta. Eu, por exemplo, morei no estrangeiro alguns anos e sempre que voltava, logo na estrada que me trazia do aeroporto até casa, ficava olhando os marcos de correio encarnados como se nunca tivesse visto cores tao nítidas, como se tivesse passado meses sem saber o que era o encarnado, o azul e o amarelo. Essa luz, essa luz. Fique também sabendo que os lisboetas são muito simpáticos. O lisboeta prefere atirar-se do Cristo Rei a ver um turista sair da cidade sem ter sido bem tratado, a ver um turista sair da cidade sem lágrimas nos olhos, com saudades de beautiful Lisbon. Na primeira abordagem somos tímidos, é certo, temos cara fechada, concordo. Mas, não tenham medo de nos abordar. Quando vemos um mapa na mão de um turista perdido, quando encontramos alguém querendo saber best place for sardines ou onde fica o Largo Camões, logo sai um inglês fluente, um inglês aprendido nos filmes do Indiana Jones, no Star Wars, um inglês alimentado pelas séries Dallas e Dinastia nos anos oitenta. Se o viajante for brasileiro melhor ainda. O lisboeta vai olhar com atenção esperando encontrar um ator de novela, vai escutar com atenção esse sotaque, vai falar no ‘povo irmão’. Recomendei à Glória Pires as melhores pataniscas de Lisboa. Volte sempre.

(Imagens: Lisboa por Henri Cartier-Bresson em 1955. Mais aqui)

PORTUGAL. Lisbon. 1955.
PORTUGAL. Lisbon. 1955.

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