Homem muito bonito na empresa

Hoje apareceu na empresa um homem muito bonito. Eu estava sentada no computador, fingindo trabalhar e vendo vestidos de verão na internet, por isso essa chegada foi um acontecimento. Quem diria que, afinal, esta sexta-feira poderia ser interessante. Os homens muito bonitos são uma raridade na cidade em geral e na empresa em particular. Os homens na empresa fazem um esforço extra para parecerem feios, fazem um esforço extra para serem bichinhos de conta, tão cinzentos e curvados. Usam fatos azuis, gravatas azuis, camisas brancas, sapatos pretos. São eternos adolescentes, pois seu único desejo é serem iguais a todos os outros. E, os fatos quadrados não os beneficiam, porque sendo portugueses têm pernas e braços curtos. Por acaso, o homem bonito vinha também vinha de fato, mas era tão alto e tão elegante que o fato se desenhava no corpo como um uniforme de super-herói. Assistir à sua chegada nesta manhã foi como encontrar o homem-aranha salvando o mundo e todos tivemos vontade de desmaiar nos seus braços. Vendo mais de perto, o homem bonito era todo dourado. Pele, cabelos, pescoço, mãos. Então, dava também a ideia que tinha chegado de uma praia exótica onde vivia adorando o sol e deixara a prancha de surf na recepção por uns breves momentos. O homem bonito vinha só fazer uma visita curta à empresa, logo teria que apanhar um avião para longe, para o planeta dos super-herois aquáticos, para o lugar dos templos gregos e dos coliseus romanos. Mas, nesse preciso momento, o homem bonito estava ali, todos podiam tocar-lhe e estavam emocionados. Algumas mulheres estavam loucas. Trocavam piscares de olhos e precisaram de se reunir junto da máquina de café para verbalizar a chegada do surfista dourado. Vejam só, um homem bonito, que raridade, disse a Teresa. O homem bonito desapareceu numa sala de reuniões e, quando voltou a surgir, despediu-se com um aceno imperial e um sorriso que nos envolveu como um banho quente. Desceu as escadas e entrou no táxi que o esperava. Na janela, todos acenavam quando ele se fez à estrada de poeira a caminho do por-do-sol. Acho que ele gostou de mim, disse a Ana Isabel. Os outros sorriram como se ela fosse comediante, cada um acreditando que fora para si que o homem bonito olhara de forma especial. Ficou magia no escritório durante a tarde inteira.

(Imagem: Le Paul Newman. Na Life Magazine)

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