Paragem de autocarro

Imaginem uma mulher toda vestida de preto na paragem de autocarro. Tinha botas pretas, de design simples. Sólidas, envernizadas e com biqueira redonda. As calças não eram pretas afinal, eram cinzento escuro, com uma risquinha branca, muito fininha. Eram calças de lã fina, calças suficientemente largas para serem confortáveis e suficientemente estreitas para serem elegantes. A mulher tinha um impermeável todo preto. Forrado, quente, confortável. Tinha uma mala que parecia feita de pele grossa, de um material meio brilhante e à prova de água. Na cabeça tinha um chapelinho também impermeável, que lhe assentava na perfeição. Era um daqueles chapelinhos que protege inteiramente da chuva molha-tolos. Junto da mulher estava uma criança vestida de forma idêntica, só que nela tudo era azul escuro: botas, calças e impermeável. Na cabeça não tinha chapéu. Tinha um laçarote e na mão um guarda-chuva pequenino. Quando o céu desabou e começou a chover e do chão saíram os cardumes de peixe, elas tiveram pena de mim.

(Imagens: Ana Jagelão da Boémia e Hungria (1503-1547). Eram dela os chapéus mais bonitos. Hans Maler pintou-a aos 17 anos – primeiro quadro – e aos 16 – segundo quadro).

1520 Hans Maler zu Schwaz (1490–1530)  Queen Anne of Bohemia and of Hungary

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