Cortem o cabelo, por favor

O cabelo comprido – e as orelhas furadas nas crianças – são uma religião em Portugal. O cabelo comprido não é um pormenor. Porque os cabelos compridos devem ser espetaculares. Sempre. Os cabelos compridos devem ser saudáveis, sedosos, brilhantes. Mas, não é isso que se vê por aí. Por aí, as meninas e as senhoras deixam o cabelo crescer agreste como se fossem as figuras das santas das igrejas. Deixam-no crescer com a displicência das ervas abandonadas. Deixam-no crescer escorrido, lambido, meio-espigado. Recusam-se a cortá-lo, há até quem chore quando apara as pontas, há até quem precise de apoio moral quando decide domá-lo com a tesoura. Dizem comovidas: Cortei cinco centímetros, nota-se muito? Ou então dizem: Ai, o meu cabelo, era incapaz de o cortar. Elas não usam o cabelo pintado de cores vivas, nem fazem lindos penteados, nem o escovam fervorosamente. Nada disso. Deixam-no crescer indomado, como o capricho de uma criança. Mas, lá em Hollywood, as atrizes famosas já cortaram os seus cabelos. Há uns anos que os usam frescos, soltos, acima dos ombros, como se fossem meninas. O cabelo comprido ficou ainda mais datado. Pode ser que a moda pegue. Viva o cabelo cortado. Express yourself.

(Imagem: John Rawlings para a Vogue, março de 1943)

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