Lisboa, cinco da tarde

Por estes dias, a minha amiga checa está de visita a Lisboa. Trouxe o marido norueguês e um casal amigo, também norueguês. Os quatro deixaram os filhos na Escandinávia e tomaram esta cidade. Têm-se divertido como adolescentes. Ontem encontrei-os num restaurante do Bairro Alto a beber vinho tinto às cinco da tarde. Comeram todo o tipo de presunto, paio e chouriço. Só eu não bebi. Expliquei-lhes muito séria que só bebia àlcool às refeições. Eles tentaram compreender-me, mas eu própria me senti imbecil. Porquê essa regra estúpida? Terei medo de me tornar alcoólica? Terei medo de falar um pouco mais alto num bar do Bairro Alto a meio da tarde? Hoje os quatro passaram o dia no Castelo e depois saíram diretos para se sentar a comer marisco no Ramiro. Eram outra vez cinco da tarde. Great seafood foi a mensagem que me enviaram. Twenty degrees, blazing sunshine, overlooking the whole city. Life is wonderful. Smile. Essa cidade é toda deles, eu não sei dar nem uma sugestão. Não conheço o melhor sítio para ouvir fado. Não conheço o melhor restaurante de tapas. Não conheço a melhor adega para fazer uma prova de vinhos. Mas, eles sabem a resposta a todas estas perguntas. Só agora, vendo-os a conquistar a cidade do sol, percebo como é Lisboa é boémia e divertida. Tenho que encontrar urgentemente de novo a minha adolescência.

(Imagem: Katharine Hepburn fingindo ser feminina no set de um filme em 1933)

katharine

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