O isqueiro azul

Filipa perdeu o seu isqueiro. Três semanas depois viu-o nas mãos de Carlos, o colega de trabalho. O seu isqueiro azul escuro, com metal dourado, que tinha comprado em Londres e considerava o seu amuleto da sorte. Sentiu o coração gelar. Durante dois dias agonizou. Perdeu a vontade de fumar. No terceiro dia, Carlos esqueceu o isqueiro na secretária. Filipa correu a inspecioná-lo. O azul era mais profundo, a textura mais áspera. Era diferente. Queria sentir-se aliviada, mas não conseguiu. Só à hora de almoço, sentada em frente das pataniscas e do arroz de feijão, percebeu porquê. Na verdade, tinha pensado que Carlos era um ladrão. Essa hipótese tinha-lhe parecido inteiramente plausível. E, aquilo que imaginamos ser possível alguém fazer, diz muito sobre o que pensamos sobre essa pessoa.

(Imagem: Na internet, o elefante que voava)

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