Ontem na festa de anos

Ontem, os adultos encostavam-se às colunas do prédio, sorvendo o sol como lagartixas. Que tarde tão lenta, como um fim de verão escandinavo. Reparei que, se perguntarmos aos pais como estão os seus filhos, eles são capazes de falar ininterruptamente sem nunca devolver a pergunta. Do sono, da comida, do percentil, da cor do cabelo, da primeira palavra. Sem nunca lhes ocorrer: E os teus filhos, como estão?. Que tédio. Uma mãe queixava-se que a festa de anos não tinha vinho, podia ser tinto ou branco, tanto faz e os miúdos saltavam muito suados e muito encarnados e muito alto num trampolim. Eram vikings enlouquecidos em alto mar, conduzindo os navios dragão a caminho de Constantinopla. Na fila do trampolim, o seguinte diálogo:

Miúda de oito anos: Não podes ir outra vez, estiveste lá ainda agora.

Miúda de quatro anos: Ora, tivesses chegado mais cedo.

Depois, de repente, anoiteceu.

(Vídeo: Banda sonora para festa de anos infantil)

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