Minha vida gloriosa em Nova Iorque

Visto à distância, o meu amigo parece um homem quase normal, não fosse a cabeça demasiado grande ou os ombros demasiado estreitos, não sei bem o que se passa, mas há ali uma desproporção. Mas o problema do meu amigo não é esse, é outro. É que ele vive numa janela do passado. Ele diz ao almoço: Quando eu vivia em Nova Iorque. E nós ouvimos. Uns dias depois ele diz de novo: Tenho saudades das pessoas coloridas de Nova Iorque. Aqui é tudo tão cinzento. E mais tarde: Em Nova Iorque, eu comprava bagels naquela loja pequenina na rua 59. Em Nova Iorque, eu dirigia uma equipa de 10 pessoas. Em Nova Iorque, eu era comentador num programa de televisão. Em Nova Iorque, eu tinha uma namorada asiática, com cauda de peixe e cabelos de sereia. Era a mulher mais bonita do Upper East Side. Eu conheci o Johnny Depp em Nova Iorque a sair de um teatro na Broadway. Tomei café com ele. Quase ficámos amigos. A tua casa é bonita, mas devias ter visto o meu loft em Nova Iorque com vista para o Central Park. O problema do meu amigo é mesmo o deserto seco que se tornou o seu presente. Tudo é triste agora. Sem emprego, sem namoradas marinhas. E, nem ele, nem nós, sabemos bem como é que ele chegou aqui.

(Vídeo: Sem querer deprimir-vos aqui fica esta música. Se estiverem no trabalho, vai ajudar a relaxar)

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