Tatuagem família

São umas oito da manhã, o sol ainda nascendo na hora de inverno, quando percebemos que o nosso sogro está na cozinha. Que sobressalto. Não é ele, claro. O nosso sogro está lá longe, em sua casa. É só que o homem com quem vivemos fica de dia para dia mais parecido com o seu pai. E também com a sua mãe. O que foi que ele disse agora? (distraí-me pensando neste post) Qualquer coisa sobre crianças e chapéus. Mas, a frase não é dele não. É do meu sogro. Ao tirar o pão da torradeira, o seu perfil em contraluz e talvez o timbre da voz, trazem o meu sogro para este quadro. São as expressões, as frases, os gestos, o recorte do nariz ou do queixo, ou o andar lento, mas que não tem nada de relaxado. Não, esse andar é calmo, mas todo controlado. É um andar que passou de geração em geração. Não sei quem disse que ‘casas com a pessoa, não com a família dela’, mas isso é uma treta. A nossa família fica gravada em nós, repete-se nos tiques, e nenhuma distância consegue apagar essa vontade imensa que o nosso corpo tem de ocupar o lugar dos nossos pais.

(Imagem: Queridas mães de pessoas pequeninas, esta é a conta de instagram que querem seguir. ❤️)

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