O efeito Gulliver (ao contrário)

Ontem, entrando no avião a caminho de Berlim, senti-me um adorável duende. Que querida. Tantas vezes, passeando pelos jardins de Lisboa, imagino-me semelhante a um mamífero de grandes proporções, com espessas camadas adiposas, pronta para fazer frente a um inverno ártico que nunca chega. Uma orca saudável. Mas, entrando no avião, percebi que é tudo uma questão de escala. Pois ontem, frente a todos os alemães, apercebi-me que afinal tenho as proporções delicadas de uma fada asiática. Tão leve e tão pequena que um sopro me poderia levantar do chão. Qualquer um daqueles estrangeiros era uma versão aumentada da espécie humana que estou habituada a observar na minha cidade. Qualquer um deles era maior, mais quadrado, mais ossudo. E , quando falo de tamanho, não falo só de altura. É também a largura da cabeça, dos ombros, dos cotovelos, das orelhas, as mãos compridas. Ah, pode até existir uma alemã da minha altura, mas até ela será com certeza maior do que eu.

(Imagem: Gulliver numa ilustração do século XIX)

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