Pensamentos das oito da manhã

Esta manhã, às oito, eu penso nas meias que estão sempre a desaparecer da minha gaveta e nunca regressam. Talvez estejam atrás da máquina de roupa ou no armário de outra pessoa. Comprar meias é uma tarefa inútil, elas sempre se evaporam. Cartuchos de meias pretas e cinzentas em lugar incerto. Se eu tivesse comprado meias amarelas ou meias lilás isso não aconteceria, pois as meias de cores berrantes sempre se encontram. Às oito da manhã eu penso também na minha fome, estou em jejum porque vou fazer análises. Eu penso já no meu almoço, que talvez tenha bolinhos de bacalhau e salada de tomate. Eu penso que hoje vou ficar a trabalhar até mais tarde, por isso não vou poder ir buscar os meus filhos às atividades. Eu penso no que vou escrever no meu blog e se hoje alguém me vai ler. Eu penso nos cartazes dos partidos espalhados por Lisboa e em quem vamos votar. Eu penso que ainda não são oito da manhã em Belmopan ou em Dangriga – onde o dia nasce nas casas de palafitas que protegem das cobras e dos crocodilos – e fico a imaginar no que pensam as pessoas quando acordam nessas cidades. Será que pensam em furacões tropicais? Ou será que pensam em meias? Sim, decerto pensam em meias.

(Imagem: Banksy pinta gatinhos em Gaza. Querem mais coisas fixes? Vão aqui)

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