Paixão é paixão

Quem almoçou perto do Campo Grande hoje viu aquele casal de meia idade sentado numa mesa no jardim comendo de mãos dadas. Digo meia idade porque assumo que estavam nos quarentas e faço contas à esperança de vida média no nosso país. Eram namorados recentes, porque ela sorria puxando os pés de galinha e ele não tirava os olhos dela. Os casais de longa data, toda a gente sabe, comem em silêncio e fazem um enorme esforço para se ignorarem, olhando pela janela como se o semáforo da rua prendesse a sua atenção. Mas, para ele, ela era a menina mais bonita do restaurante, apesar da empregada loira e muito esguia, com orelhas pontiagudas feito uma fada. Depois, levantaram-se os dois e ele logo lhe passou o braço pelo ombro e foram caminhando pelo jardim até se terem agarrado e beijado frente ao carro. Como adolescentes. Só que eram duas pessoas maduras, com as gordurinhas próprias da idade. Nesse momento, eu parei de olhar e fingi que comia. Estava meio constrangida. Quando voltei a olhar ainda se agarravam. A paixão sempre me pareceu um sentimento juvenil. Mas, mais uma vez, estou errada. Parece que a paixão é igualmente arrebatadora na meia idade.

(Imagem: Frida Kahlo e Diego Rivera)

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