Casas felizes

Ontem fui jantar a casa de familiares e alguém estava a ler um livro com o título promissor ‘Arrume a sua casa, arrume a sua vida’. Só com essa garantia eu já estava convencida e, como nunca tinha lido um livro de auto-ajuda, dispensei as entradas de presunto e queijo de cabra  e pus-me num canto a ler. Foi uma leitura na diagonal, é certo, mas deu para assimilar alguns factos interessantes. Por exemplo, a autora do livro, a japonesa Maria Kondo, diz-se obcecada por arrumação desde os cinco anos. Quando era criança passava horas a organizar livros e a limpar. Mais tarde na adolescência leu vários livros e experimentou todo o tipo de métodos de arrumação. Os pais não se sentiram suficientemente preocupados para procurar terapia e a filha cresceu e tornou-se ‘arrumadora profissional’. A contracapa avisava que a lista de espera para uma consulta com esta guru demora três meses. Mais, que viaja pelo mundo inteiro dando palestras e falando na televisão. Eu estava em pulgas. Isto tinha que ser bom. Bem, afinal, como é que eu posso arrumar a minha casa e arrumar a minha vida? Oito euros e noventa e nove parece uma bagatela por tal proeza. O princípio é simples. Kondo diz que não devemos apenas arrumar, devemos sobretudo retirar objetos de nossa casa. E qual o critério? O critério é deitar fora as coisas que não nos dão alegria. Eliminar o que não nos faz feliz. Bem, é preciso atenção a este método. Num dia de neura podemos dar por nós a despachar a mobília inteira da sala. E depois se houver muita coisa que nos faz feliz na nossa casa? Essa pode ser a origem do problema. Mas há mais. Kondo defende que devemos falar com os objetos e agradecer-lhes o que fazem por nós diariamente. Por exemplo, dizer obrigada brincos por me fazerem bonita. (Revirar de olhos). Bem, não fiquei convencida, mas estou claramente em minoria. É que, entre os testemunhos de sucesso citados no livro, havia quem até dissesse que tinha perdido três quilos com aquele método. Exato. Arrumar a casa, arrumar e a vida e perder peso por menos de nove euros. Só faltava prometer a alma gémea. Marie Kondo, és um génio.

(Imagens: Casas felizes aqui)

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