O vocalista

Albrecht  Dürer tinha tanto de talento como de vaidade. Era brilhante na pintura, escreveu tratados de matemática, tinha preocupações filosóficas. Sentia-se com certeza orgulhoso do seu sucesso precoce e tinha necessidade de o mostrar ao mundo. Como não tinha outdoors, programas de televisão e jornais à disposição, usou outro meio eficaz de promoção: o auto-retrato. Foi dos primeiros pintores europeus a fazê-lo e, provavelmente, o mais profícuo do seu tempo neste género. Calcula-se que terá pintado doze auto-retratos. Neles aparece ricamente vestido, exibindo através da sua roupa o seu sucesso e estatuto – os artistas começavam então a ganhar o prestígio que gozariam nos séculos seguintes. Neste auto-retrato, que é também o último, representa-se como Jesus Cristo, sublinhando o carácter divino do seu talento. Tinha apenas 28 anos. Se  Dürer vivesse hoje seria o mais fascinante vocalista de uma banda rock: egocêntrico e genial.

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