Mais um jarro de sangria, por favor

Hoje na piscina de um hotel lisboeta muito chique estavam, às quatro da tarde, um grupo de jetsetters americanos que bebia uma sangria bestial com um ar conhecedor, uma mulher muito loira que dormitava e ao mesmo tempo lia um romance, uma família italiana cujo pai estava demasiado ginasticado, tinha uma rosa bordada no peito e falava muito ao telemóvel. A mãe italiana parecia uma mulher normal – o que é que ela acharia de ter um marido que se exercitava tanto? – e a filha era uma sereia usando um biquíni florido, nadando como Esther Williams num clássico dos anos 50 e, por vezes, desaparecendo debaixo de água durante mais de um minuto. Depois chegou um casal português em que ele era tão mais velho que ela que sentiu necessidade de nadar várias piscinas vigorosamente num ritual de acasalamento que fazia lembrar um ornitorrinco. A rapariga suspirava e dizia ‘uau’. Acho que estava a ser irónica. Às quatro e meia chegou uma angolana alta como uma estátua e de unhas pintadas de laranja acompanhada pelos seus dois filhos pequenos que quebraram todas as regras daquele lugar, saltando para a água com estrondo, fazendo chover cloro, gritando e provocando o espanto dos outros hóspedes. Antes das seis eles saíram da piscina e os americanos pediram mais um jarro de sangria.

(Imagem: O meu prédio é uma aldeia e hoje o Dr. Constâncio bateu à porta para entregar os figos apanhados esta manhã).

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