Gula, gula

Meu destino é ter excesso de peso, porque eu adoro comer. Mas a sério. Tem gente que diz: Não gosto de chocolate. Não gosto de feijoada. Ou: Não gosto de tomate. Eu alegro-me com as horas da refeição. Alegro-me, por exemplo, com os pequenos-almoços dos hotéis e provo tudo – ovos, panquecas, feijões, bacon. No trabalho fico feliz quando um colega compra pastéis de Belém para partilhar ou quando alguém faz anos e traz bolo de morangos e chantilly para todos. Isto é bestial. Eu petisco sorrindo. Às vezes no comboio para casa vou a pensar no que podemos fazer para o jantar. Gosto de reuniões sociais porque elas permitem precisamente partilhar boa comida com os nossos amigos. Vamos comer tapas naquela tasquinha baixa? Sou adepta de sushi, de italiano, de tailandês, de indiano, de português. Uma gula insuportável. Mas, nem toda a comida é feliz. Por exemplo, em casa da minha tia, a comida mora em tupperwares no frigorífico. Um resto de ontem, outro de anteontem. Comida assim não tem graça. Comida assim perde o seu carácter festivo. Na casa de outros tios meus, a comida também é triste. Tudo vem empacotado, tudo sai de uma embalagem. Quem come assim, perdeu um pouco o gosto da vida. Ou talvez seja eu que procuro algum do sabor da vida no meu imenso apetite.

(Imagem: Melancias e Viva la Vida de Frida Kahlo, 1954)

frida-kahlo-viva-la-vida

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2 comments

  1. Também acho que é esse o meu destino…
    Um equilíbrio entre “petiscar sorrindo” e caber na roupa do ano anterior!
    Comida feliz 🙂

    Liked by 1 person

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