Um macacão de ananases

Querida gosta de escolher sua própria roupa. Desde que era pequena. Hoje gosta dos calções de florzinhas, outro dia das calças manchadas, outro do vestido com foguetões, mas nunca daquele macacão que eu comprei corrido de ananases. Eu vi o macacão na loja e logo me apaixonei. Ela duvidou, mas eu tirei os vinte euros do bolso e estava pago. Na manhã seguinte, prendi-lhe o cabelo em cima e deixei o restante caindo nos ombros. Vocês têm que saber que ela tem cabelos loiros e isso, só por si, é uma extravagância. Ficou a testa enorme e os olhos abertos. A cara de porcelana. Depois, vestiu uma t-shirt branca e o macacão de ananases, com fundo cor de salmão. Parecia comida de fusão. Um pratinho de sushi. Eu espero nunca me esquecer do seu brilho nesse dia, entrando no carro para ir para o colégio, meu coração explodindo de orgulho. A beleza é tão aleatória, que não somos realmente responsáveis por ela. Passou o dia. Quando chegou a casa disse: Não gosto deste macacão. Fica muito apertado. E nunca mais o vestiu.

(Imagem: Um ananás em versão botânica. Paris, 1815)

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