Acumuladores

Há quem diga que o grande mistério da vida contemporânea é saber como é que o Marco António Costa chegou onde chegou. Para mim, o grande mistério da vida contemporânea é saber como é que os pais conseguem gerir a quantidade de objetos que os filhos trazem para casa e acumulam nos quartos. Mentira. Às vezes também acumulam na sala, no escritório, na cozinha ou no nosso quarto.

O catálogo da IKEA, que adoro folhear, está cheio de quartos de criança coloridos, não extraordinariamente arrumados, mas naquele equilíbrio perfeito que têm as casas organizadas e simultaneamente vividas. É isto. É mesmo isto que eu quero. E corro para a loja para me abastecer de candeeiros, camas e cestos. Mas, apesar de serem (quase) 100% IKEA, os quartos dos meus filhos nunca poderiam fazer parte do catálogo. Porque na nossa casa floresce um sem número de objectos que se acumulam sem sentido, sem ordem, sem utilidade. Pedrinhas, plasticina, sapatinhos de boneca, peças de puzzle, peças de lego, troféus do Happy Meal, restos projetos escolares, carregadores, pilhas, pernas de plástico.

Nem mesmo a fúria mensal de limpeza dos quartos resolve a questão. É uma luta inglória contra a Amazónia enlouquecida. Porque nos bolsos das calças ou no fundo da mochila há sempre mais um cromo dos Invizimals, um porta-chaves ou o resto de um projeto científico. Os (meus) miúdos têm coisas a mais. E eu sou um explorador sueco e impotente nesta selva tropical.

(Imagem daqui)

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