Mundo, hoje é sexta-feira

Hoje, às 9:32h, a mulher que atravessava a cidade com um casaco cor de laranja era eu. As pessoas olham para nós por sermos loiras, por sermos altas, por parecermos bonitas. Mas, se quiserem que olhem realmente para vocês, usem um casaco cor de tijolo e vão gritando em silêncio pela cidade. Com batom vermelho, para não combinar.

Quando cheguei à estação de comboios já quase não havia jacarandás e, agora, por todo o lado eram os grilos. Como se fosse um resort. Apetecia deitar nos bancos e ser tropical o dia inteiro. Fiquei de pé. O calor apertava, mas eu não tirei o casaco. O casaco era tudo o que eu tinha hoje. Sem ele, eu seria mais uma no formigueiro. Nos bancos, um homem arrastado metia conversa com uma rapariga. Era uma menina, na realidade. Uns 18 anos. Ele dizia que era professor na universidade, que tinha muitos alunos, que os alunos não sabiam nada e queria saber onde a rapariga estudava. Pelo jeito de falar, acho que mentia. Pelo jeito de falar, acho estava bêbedo. E ainda eram apenas 9:37h.

Mundo, hoje foi sexta-feira.

(Imagem daqui)

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