Como trepar a uma amoreira

Em abril, a mata em frente a minha casa parece um jardim bipolar, com papagaios e árvores de flores minúsculas e esquilos e brisas escandinavas. No fim da tarde, as amoreiras ainda fazem sesta e essa é a hora perfeita para as apanharmos desprevenidas. Em bicos dos pés, prendendo os galhos com um guarda-chuva e tirando as folhas atordoadas. Às escondidas. Enchemos o saco de plástico, rebentamos os ténis, rasgamos a ponta da t-shirt de ‘andar por casa’, tropeçamos nos pássaros invisíveis.

Uma vez iniciado, o casulo de um bicho da seda demora quarenta e oito horas a ficar concluído. Antes, as lagartas engordam na caixa de sapatos, comendo em movimentos circulares, noite e dia. Eu sei quando chegou a Primavera, porque ela me apanha sempre pendurada no tronco de uma amoreira.

(Na imagem: Este é um bicho da seda. E mora em nossa casa)

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