Tempestade perfeita de gases turbulentos

Se eu contar, vocês nem vão acreditar. Que na rua da minha avó no Porto passavam varinas de verdade quando eu era pequena e que todos os que subiam e desciam – ou espreitavam pelas janelas – eram muito velhos e tinham nomes terminados em ‘inho’ e ‘inha’. Que em Lisboa havia sempre lugar para estacionar – e nenhum parquímetro – e que um Renault 5 dava para dar a volta à Europa. Que nos aniversários das crianças se misturava pó colorido com água e a isso se chamava ‘sumo de laranja’, que se desfaziam as camas a brincar ao ‘quarto escuro’. Não voltas a convidar aquele selvagem para a tua festa. Os leões do jardim zoológico viviam num T0, os concursos ofereciam apartamentos vertiginosos no Algarve, os sapatos compravam-se para uma vida inteira.

De resto tudo igual, os astros enormes girando perigosamente, as galáxias expandindo-se, árvores caindo na Amazónia e o Tejo ficando cada dia mais estreito.

(Na imagem: Tempestade perfeita de gases turbulentos, do Hubble)

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