Rotina

Uma das surpresas da idade adulta foi ter-me descoberto tão conservadora. Eu pensava-me aventureira e liberal, mas na verdade não sou nada disso. Por exemplo, eu adoro rotina. Gosto tanto da rotina, de fazer sempre a mesma coisa, que as férias me parecem uma interrupção desnecessária no rame-rame quotidiano. Eu gosto de ter os mesmos amigos há anos, de frequentar os mesmos sítios, de ouvir as mesmas músicas, de ler os mesmos livros.

(Daí que ande outra vez a ler a coletânea de contos Laços de Família da Clarice Lispector. “Amor” é dos mais belos textos que alguma vez li e volto sempre a ele. É uma rotina, lá está. Nele, Clarice escreve: Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Desde então sempre que penso em crianças repito estes três adjectivos – bons, verdadeiros e sumarentos. E mais à frente outra frase: Ah! era mais fácil ser santo que uma pessoa!É isso mesmo. Tão certeiro que podia ser um epitáfio).

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